sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Décimo Primeiro Capítulo

(Conforme prometido, publico, dentro do prazo, mais um capitulo da "carta a Rubem", como já dito por alguns. Escrito pela Ludmila Carvalho, que botou na roda a Iza Bel, a próxima da lista. Deliciai-vos.)

Capítulo XI 

A última vez que vi o céu azul

Segurança, segurança, segurança… Aquele meu velho mantra ecoava em minha mente, e na manhã do dia seguinte, acordei decidido a voltar para casa, para os braços de sua mãe que eram, acima de tudo, o meu lar.

Foram tantos dias ausentes, tantas desculpas e tantos subterfúgios para manter-me ao encalço de Simone, que havia negligenciado minha família, minha vida bem sucedida, estável e sólida. Você, meu filho, estava prestes a vir apo mundo, e eu não estava participando desse percurso.

Depois daquela terrível realidade descortinada a mim por Simone e todo aquele mal-estar, depois daquela falsa sensação de culpa que surgia em forma do uma dor na boca do estômago como se houvesse recebido um golpe do Mike Tyson, meu senso prático me gritava para retomar a minha vida, esquecer aquele episódio e nunca mais voltar a pensar naqueles olhos azuis, que tanto contrastavam com aquelas mãos pequenas inertes sobre as coxas, com as palmas para cima.

A caminho de casa, observava um céu inesperadamente azul e sem nuvens que me trazia certa calma e a lembrança de uma distante Quaraí, e de uma infância em que tudo era mais fácil, mesmo para um filho sem pai.

Porém, não podia desviar o pensamento dos últimos eventos, e novamente me perguntava o que havia querido dizer Simone quando disse que me procuraria se precisasse?

Estaria ela tramando uma terrível vingança, juntamente com tantas outras garotas cujas inocências eu havia deflorado? Repassei mentalmente todos aqueles olhares, tantos nomes, tantos rostos…

Não somente isso, mas haveria ela se unido também outros tantos estudantes que por mim haviam sido motivados, mesmo sem grande convicção da minha parte, a participar do movimento estudantil e lutar contra a ditadura, e que sucumbiram como Simone, e sofreram graves punições que deixaram marcas em suas mentes, almas e principalmente, em seus corpos?

Repasso mentalmente outros rostos, outros nomes… Pessoas que nunca mais vi, que julgava não fazerem mais parte da minha história, de meu passado.

Haveria mais alguém desejoso de vingança? Pessoas que passei por cima em minha busca obstinada por ascensão social, talvez… Mais nomes, mais rostos.
Que sentido haveria em tudo isso? Perguntava a mim mesmo. Poderia ser real, ou estaria eu enlouquecendo?

Duvidando da minha própria sanidade, sentia minha cabeça rodando, e meus pensamentos a acompanhavam. Girando, girando, em torno de um único eixo: Simone.

Precisava voltar para casa, sentir que ainda tinha controle sobre minha vida. Precisava ver minha esposa, e relembrar porque ela havia sido o motivo de minha vida por tanto tempo. E principalmente, precisava ter notícias do meu filho.

O taxista para diante do endereço que lhe informara.

Pago a corrida, desço sem pressa, pego minha pouca bagagem. Respiro fundo. Embora em São Paulo, o ar me parecia o mais puro que teria respirado até então.

Minhas mãos tremem, suo frio repassando todas as desculpas, todas as histórias que havia inventado para contornar a situação e justificar minha ausência.

Meto a mão no bolso e retiro uma caixinha embrulhada em papel cintilante. Dentro dela uma pequena jóia que havia comprado no caminho, para sustentar minhas mentiras e tentar não afastar ainda mais sua mãe de mim, logo ela, que seria naquele momento, meu porto seguro.

Abro a porta. Luzes apagadas. Silêncio.

Encontro um bilhete sobre a mesa:

“Sei que esteve com outra mulher. Não me procure mais. Estarei fora do Brasil. O Dr. Almeida já tem a procuração para tratar do nosso divórcio. Adeus”

Desfaleço em uma poltrona.

A vingança de Simone começara.

 

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Sapo


Um grupo de crianças. Uma tábua, um prego passado com a ponta pra fora. Um prego grande. Pilha de tábuas, molhadas por causa da chuva. Um sapo sobre uma tábua. Um menino com a camisa do Vasco da Gama ri muito enquanto coloca o prego cuidadosamente apoiado nas costas do sapo, com cuidado para não perfurá-lo. Não ainda. Por curiosidade ou covardia, outro menino apenas observa assustado, arrumando os óculos. O menino com a camisa do Vasco corre, gritando, pula com força pra cima, e numa precisão absurda pousa os dois pés sobre a tábua com o prego sobre o sapo.

Todos riem, mas é possível que nem todos estejam achando graça. Um sapo foi pregado. Só depois disso foi esmagado. Numa fração de segundo, o sapo foi uma espécie de jesus, pregado numa cruz de malta. Todos gritam. O pai do vascaíno é vascaíno. Ele não diz “vasco”, ele diz “vashco”. “Torço pro vashco”.  

O filho do vascaíno é vascaíno.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tirinha



Tirado do site Malvados, de André Dahmer.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Oitavo, nono e décimo capítulos

(Mais uma vez este que vos mal escreve deu sinais de que estava próximo do chamamento blogal, deixando-vos assim a observar fragatas. Todavia, não foi por problemas técnicos, mas ausência de computador mesmo. Deve-se ao fato de que este autor estava em viagem importantíssima de cunho exclusivamente deleitoso no maravilhoso estado do Rio Grande do Norte, mais especificamente em Natal. De certa forma, como diria Chico - amigo meu, por isso chamo só de "Chico" - "se eu demorar uns meses, é bom, às vezes, você sofrer". Como voltei antes do período de um ano, continuaremos nossa saga, pedindo novamente as escusas a nossos digníssimos autores e excelentíssmos leitores. Isto posto, vamos aos capítulos em atraso: o oitavo (escrito pelo Benedito), o nono (escrito pela Helga Lützoff Bevilacqua) e o décimo (do Caio Miranda).

Capítulo VIII 

A Prisão Pintada de Azul 

Enquanto os minutos se engrandeciam na espera de alguém abrir a porta, meus olhos investigavam em volta e tentavam se perder da expectativa e da ansiedade que latejavam. Estavam para além do meu corpo. 

A varanda, ampla e florida, parecia contornar a casa toda, como condição de segurança à felicidade que aparentava, de proteção contra qualquer infortúnio . Poderia se dizer que eu seria um deles? Alguém a colocar em risco a tranqüilidade de suas flores multicoloridas? 

Violetas, muito mais as azuis, tornavam-me indiferente sobre as demais. Multiplicavam-se realmente ou   meus olhos perseguiam-me também,  aumentando minha pena sobre o passado? Ou todas as violetas eram azuis? Só sei dizer uma coisa filho: a liberdade está longe de ser azul. As flores me arrastavam de novo ao meu claustro. Mas quem sabe para enxergá-la de verdade essa dor seria o preço. E aí estaria o sentido dessa busca. 

“Sim, o que deseja?” Interrompeu uma voz formal a minha deglutição indigesta. O que desejo? Nem eu mesmo sei dizer, mas urgente precisava de algumas palavras lógicas, práticas, e não de minhas digressões. 

“Gostaria de falar com a sua patroa, Dona Simone. Somos velhos conhecidos. Não nos comunicamos há uns dez anos. Sou o Dr. Souza Schahin”.  Formalizei ao máximo:  uma dona, um título, e o sobrenome diferenciado depois do comum. Não poderia me escancarar logo de imediato. Precisava não estar em partes diante do risco de me desmanchar. 

Olhou-me de cima a baixo para conferir  alguns sinais de distinção. Consentiu com a cabeça,  apesar de minhas noites mal dormidas não me darem total crédito. Deixou-me entrar  e indicou um sofá na sala de estar.  Seguiu para dentro da casa em busca da patroa. Pensei: o que algumas palavras e aparência não fazem? Se pudesse ver o meu currículo de vida pensaria duas vezes antes de me  permitir qualquer coisa. 

Verifiquei um pouco da  casa. Fez-me voltar aonde nos demos a muitas intimidades e risadas, mas também onde senti uma grande tristeza, onde me olhei do espelho, e vi o que causava aos outros, ou melhor, às outras. Via na sala  as mesmas flores que enchiam as paredes do quarto de outrora. O resto não me fitou. Marcavam  as paredes, o sofá e as duas cadeiras. Só variavam de tons. E eram entornadas por um cinza..., quase azul. Um grande mar cinza azulado, onde se afogavam meus olhos. Perdiam-se entre as violetas. Será que era tudo aquilo uma grande armadilha, preparada por ela e por outras, mancomunadas, contra um grande canalha? É como se soubessem que um dia eu estaria ali. 

Busquei olhar para as janelas. Eram várias, e com as venezianas todas abertas para  a Serra, verde e compromissada com visões para além do que se via. Quem sabe elas atenuariam  minha pena perante esta autoconfissão.

Sentei afundando-me sobre as flores do assento, em nada lembrando a postura que cabe a um advogado. Com os formalismos esquecidos de vez, quase mergulhei a cabeça entre os joelhos, aprofundando-me, quem sabe, sobre Deus. Conseguiria superar, assim, uma das marcas que minha mãe me deixou, citá-lo somente para a satisfação dos olhos alheios?  Mas quem sai aos seus não degenera, não é assim? 

“Quem ?” Surgiu rouco no ar,  me tirando do oceano.


Capítulo IX 

Desejos inquietos no porão 

O som da cadeira de rodas sendo arrastada pelo assoalho foi brevemente substituído por um silêncio incômodo. A ausência das palavras era nossa primeira e sociável saudação, típica de íntimos desconhecidos que buscam se recompor entre as lembranças e o hiato deixado pelo tempo. 

Quando me viu, Simone contorceu a cabeça e pediu gentilmente à moça mulata que lhe guiava para que nos deixasse às sós. Com um sorriso afável, a moça prontamente seguiu as ordens da patroa e abandonou a sala com rapidez. O som dos passos se desfez ligeiro dando lugar ao silêncio pesado que parecia decorar a sala. Eu, ainda afundado sobre as flores do assento, perdia-me entre pensamentos e mal conseguia concatenar as palavras. As frases se desmontavam antes mesmo de deixarem minha boca. Simone, da mesma forma, parecia não entender o que me trazia ali, depois de tantos anos, e, expressava com clareza confusão em seu olhar azul. 

A minha presença, silenciosa e estranha, era para Simone um salto sobre lembranças que não queria ter. De um tempo igualmente silencioso, onde ideais foram substituídos por gritos agonizantes nos porões da Rua Tutóia. Foi ali a última vez em que Simone lembrou-se de ter pernas. Foi ali a última vez que Simone lembrou-se de ter sonhos. Nunca fora militante do movimento estudantil, mas carregava consigo a rebeldia livre de todos jovens. E por ser jovem e estudante, Simone pagou a dívida destinada aquela geração: o silêncio subversivo que amortizou por anos a memória morta de um país melhor. 

Eu, que não tivera o mesmo destino dos porões, onde os estudantes ganhavam cicatrizes que para sempre foram escondidas, rememorava os olhos de Simone com saudade e ódio. Como podia ser ainda tão fascinante? Havia um excesso de força naquele olhar, que sempre me afrontava. 

Simone então, com o olhar ainda aturdido, rompeu o ritmo atônito de nossos pensamentos e me perguntou o que fazia ali. Demorei alguns segundos para me recompor e disse a ela que não sabia ao certo. Talvez uma dúvida. O encontro aquele dia no Tribunal, onde não reconheci seu nome, mas sim seu olhar, trouxe-me uma lembrança incômoda dentro do peito. E respondi, sem muitas razões, que talvez fosse isso o que me trouxesse ali. Ela respondeu com rispidez, que se a visita era para fazer corte a pena ou dó que se tem de uma paraplégica, que poderia ir embora naquele instante. Tentei logo me desculpar, e disse obviamente que não estaria ali porque a via numa cadeira de rodas, mas sim, porque sentia saudades, de um tempo que nunca mais pareceu ser o mesmo. 

Simone, ao piscar os olhos, baixou as defesas e concordou, um pouco emocionada, que tempos como aqueles não seriam mais os mesmos. 

Ao ver Simone, vulnerável, me lembrei de como era quando menina. E como era linda. Eu rodava com meu dedo polegar a aliança na minha mão esquerda, enquanto todos os desejos, os mesmos desejos dos tempos que não voltavam, rodeavam sobre mim.



Capítulo X 

O relato de Simone 

Após um certo período de um silêncio constrangedor e bastante incômodo, Simone tirou aqueles grandes olhos azuis de mim e chamou pela simpática mulata. Pediu que lhe trouxesse uma xícara de chá. Me perguntou se eu desejava beber alguma coisa e optei por um café bem forte. Ao primeiro gole de seu chá, Simone desembestou a falar. 

“Você não deve fazer idéia do que me aconteceu naquele dia do tumúlto, não é verdade?”, concordei com a cabeça e com certa dificuldade lhe disse que a ví numa maca e pensei que houvesse morrido. 

“Não, só estava desacordada. Fui colocada na maca mas não me levaram para o hospital. Não, aquela ambulância não foi parar em um hospital, mas sim num tipo de ‘quartel general’ do DOPS. Fui levada pra lá e torturada sei lá por quanto tempo. Só me deram a liberdade quando eu já não podia mais andar. O que eles queriam comigo?” – pareceu que ela previu minha dúvida – “Você sabe. Eu conhecia muitos dos militantes dos movimentos contra a ditatura. Sabia muito sobre muitos deles. Sabe-se lá por que aqueles homens todos adoravam me contar detalhes dos planos para sabotar os militares e coisas do tipo. Eu não ligava muito pra isso. Ouvia sem prestar muita atenção. Mas de algum modo o DOPS sabia das minhas relações întimas com alguns dos líderes dos principais grupos rebeldes e com certeza passaram a me perseguir, espionar, ou sei lá. Naquele dia eu fui pega. Como já disse, me torturaram por dias. Dias que eu nunca vou saber quantos foram exatamente. E menos ainda eu posso contabilizar a dor e o sofrimento que passei naquele período que parecia durar a eternidade. Naquele dia entreguei muita gente, disse nomes, lugares, datas e dei os detalhes que eu me recordava sobre os planos secretos que tinha ouvido falar. Sempre que eu não sabia responder uma determinada pergunta, me batiam. E mesmo sabendo responder, também me batiam. Me batiam tanto que cheguei a desejar a morte por muitas vezes...” 

Nesse momento, Simone interrompeu seu história. Uma lágrima correu em seu rosto. Mas, imaginavelmente, seu olhar penetrante e hipnótico mudou. Não era mais aquele olhar triste e cansado, ainda estonteante, de quando cheguei em sua casa, nem mesmo aquele olhar que eu conhecia dos tempos de jovem. Era muito próximo ao olhar de minha mãe quando ficava estava profundamente irritada e ferida. Um olhar maligno, mas ainda mágico. 

“Naquele dia, dentre os principais nomes que o DOPS andava buscando, um deles era o seu, Dr. Souza Schahin.” – seu tom de voz nesse momento me deixou arrepiado – “Eles procuravam por você. Queriam saber tudo sobre você. Eu dizia a eles que não sabia nada, que só tinha te encontrado algumas vezes, que você não me contava nada sobre planos secretos e nomes de envolvidos. Eles não acreditaram. Me bateram muito enquanto repetiam seu nome, berrando pra que eu dissesse tudo o que sabia sobre você ou morreria. Eu tentava lembrar de qualquer coisa que você pudesse ter-me dito naqueles dias, mas não conseguia. Tentei inventar alguma informação sobre você, mas não funcionou. Tentei falar mais sobre os outros líderes militantes, mas também não adiantou. Era você que eles queriam, você era um dos grandes cabeças, eles diziam, você era o responsável por eu estar sofrendo tudo aquilo, eles diziam. Tudo culpa sua.” 

Só me lembro de estar com a xícara de café próxima da boca sem ter tomado um gole sequer. Não sabia o que fazer ou dizer. Não me sentia exatamente culpado, mas essa história de dor e sofrimento me abalou muito. Mas não mais que a entonação da voz de Simone e de seu olhar voraz, que aprecia engolir meus pensamentos, me anulando qualquer ação. Foi somente quando aqueles olhos grandes e azuis deixaram de mirar-me fixamente que pude levar a xícara a uma mesa azul claro estampada com belas flores de diversos tipos. Talvez por nervosismo, ao colocar a xícara na mesa, derrubei-a e espalhou-se todo meu café, manchando a mesa e as flores. Pedi perdão insistentemente mas Simone não se comoveu. Pediu para que a bela mulata limpasse a mesa e me trouxesse outro café. Recusei. Disse que precisava ir embora. 

“Certo. Vá.”, disse Simone secamente. “E não se precupe comigo, Dr. Souza Schahin, a Maria cuida muito bem de mim. Não me falta nada, como o senhor pode ver, tenho uma vida confortável e tranquila. E não se encomode em me visitar outras vezes, se eu precisar do senhor, te procurarei. Não foi nada difícil encontrá-lo no tribunal.” 

Essas últimas palavras me congelaram ao mesmo tempo em que me fizeram correr até a porta, no momento seguinte, e sair dalí. O que ela queria dizer com aquilo? Então será que não fui eu que reecontrei Simone mas ela que me procrava? Por que haveria de me procurar já que ela mesma havia dito que não precisava de nada, não lhe faltava nada, que tinha uma vida confortável e tranquila?

Naquele noite quase não dormi. Sonhei com flores e mulheres querendo me dilacerar, sonhei com o DOPS me batendo enquanto Simone me olhava com aqueles últimos olhos que havia me deixado de lembrança. Ah! Aqueles olhos grandes e azuis! Nunca mais foram os mesmos, desde então.

(Mil perdões. Sem novas promessas.)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sétimo Capítulo

(Pedindo as desculpas a nossos fiéis leitores, trago a público o sétimo capítulo da saga novelística humildemente lançada pelo UPOP e feita com vossas contribuições pertinentes. O atraso se deveu a meu tratamento contra o câncer - o signo, não a doença. Ok, foi porque faltou tempo mesmo. Mas prometo - juro - que voltaremos à assiduidade típica de nosso pobre mas limpinho espaço internético.)

Capítulo VII

Após alguns dias de intenso trabalho, noites sem dormir, refeições feitas às pressas e imprensa no meu encalço, resolvi comemorar com minha equipe  mais uma vitória no tribunal em um bar qualquer dos Jardins. Comemorava não só aquela vitória, mas todo um período de prosperidade e ascensão profissional. Eu era o homem da vez, o advogado que todos queriam ver, ouvir e ter ao lado. Eu era um sucesso: invejado, respeitado, admirado por colegas, mestres e alunos.

Comemorando, entre ema bebida e outra, entre risos e tapinhas nas costas, disfarçava uma angústia crescente, um incomodo íntimo que me fazia sentir como se vestisse uma camisa três  números menores que o meu, como se as paredes ao meu redor estivessem se fechando. Esse incomodo, meu filho, vinha daqueles olhos que me olharam fixos durante o julgamento, que por um segundo pensei terem me reconhecido e que nesse segundo fez ressurgir todo meu passado.

Eu tentava. Tentava não pensar, não lembrar, mas ela estava ali e quanto mais bebia, mas eu a via, mas longe no tempo eu era levado. De repente voltar para casa, para os braços de sua mãe era a última coisa que eu queria fazer e naquela noite não o fiz.

Saí do bar e me perdi pelas ruas da cidade, dirigi durante horas, sem rumo em uma rota de fuga que não levava a lugar nenhum porque inútil fugir de mim mesmo e do meu passado. Parei quando não podia mais manter minhas mãos presas ao volante, quando meus olhos não mais podiam manter-se abertos e entrei numa padaria qualquer. Já amanhecia, a cidade acordava e o movimento no balcão era intenso. Pedi um café, minha cabeça girava, alucinado via em todos os rostos aqueles olhos azuis, profundos, grandes e tive certeza de que aquela mulher não me deixaria em paz. 

Eu precisava descobrir quem era ela, quem era a mulher em cadeira de rodas, pele e olhar fenecidos e mãos abandonadas, inertes nas coxas, mas que no entanto ainda erguia, altiva os mesmos olhos voluptuosos. Era preciso voltar ao inferno pelo tortuosos caminhos do paraíso.

Das semanas que se seguiram só me lembro do cheiro úmido do quarto de hotel, da minha cara amassada no espelho, dos telefonemas conformados de sua mãe, da busca frenética por pistas e rastros daquela mulher. Não me lembro do quanto gastei, das desculpas que dei para a ausência aos inúmeros compromissos. Era como se o mundo tivesse  parado até o momento em que finalmente estacionei o carro em frente aquela casa na Serra da Cantareira, toquei a campainha  e tudo começou a fazer sentido.


 (Tânia, muito obrigado. Benedito, o próximo: boa sorte.)



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sexto Capítulo

(Festejai, leitores. Chega a nossa redação o sexto capítulo da medioválgel saga novelística. O próximo capítulo, por indicação da Bruna Nehring, que nos brinda com a participação abaixo, será apresentado pela Tânia Tiburzio, que publica aqui. Ouçamos.)

Capítulo VI

Algemas

À minha volta, jovens estavam sendo domados a cacetadas, presos, imobilizados, levados para viaturas, algumas até sem identificação. Não hesitei, voltei a correr a esmo, para que ninguém me encontrasse, para que ninguém me colocasse perante a morte, o horror, o vazio. Pelas ruelas em que me meti, enquanto a fuga era mais cerebral do que física, espiava para encontrar uma farmácia, um mercado onde comprar um vidrinho de álcool, um esparadrapo que fosse, para estagnar o sangue que escorria da face para dentro da boca, e do queixo para o peito nu, como num cristo flagelado.

E se Simone também fizesse parte daquele caos...aqueles olhos lindos cabiam muito bem naquela confusão; aquela vida devassa a que seu espirito livre a levava, poderia sim pertencer àquele tumulto. Continuei correndo sem olhar para traz. De repente um edifício acabou o meu caminho. Sem portas, sem janelas, uma construção imensa, impessoal, sem identidade. Sentei no chão segurando minha cabeça entre os joelhos. Mesmo que quisesse fugir, às minhas costas estavam os três metros de altura de uma parede perfeitamente lisa. Hoje sei que aquele muro foi o impacto de que eu precisava: minha vida ainda era uma trilha, não um caminho.

Sentia-me irreconhecível. Mal refreava o soluço por alguém que ainda desejava com todo meu ser, que me havia levado à loucura, mas que agora jazia em algum lugar desconhecido, transformado num nada irrecuperável. Esforçava-me para identificar se aquela paixão pela qual ainda arquejava dolorosamente era realmente amor ou orgulho ferido. Havia sido tratado como uma refeição sem o requinte do paladar, assim como eu fizera com dezenas de garotas que eu sabia apaixonadas por mim. E agora, quem era este homem... não mais um rapaz, não mais o eterno estudante que vivia alegremente da gorda pensão de alguém que o aceitara como filho; e filho de uma mãe manipuladora com quem havia aprendido a fraudar a vulnerabilidade humana; eu era alguém que participava de protestos para um mundo de mais fraternidade, mais equidade, mais liberdade, mas sem muita convicção, da mesma forma inconsistente em que vivia meu dia a dia. Agora sentia-me foragido, perseguido; havia escapado das algemas do Doicoi, e agora era preciso desvencilhar-me das algemas familiares. Não mais manhas maternas: ela teria que aprender a respeitar-me - e quem sabe a amar-me - por aquilo que eu me tornaria. Ser sem dever.

Jamais havia olhado para o meu futuro, nem de relance. Quase formado ainda não havia-me perguntado como se começa a ser advogado...um estagio num escritório já estabelecido abriria o caminho ou é preciso começar como continuo? Mas é mesmo advogado que eu queria ser, ou um homem de negócios bem sucedido. A formação acadêmica ajudaria na hora das negociações, nas argumentações. Conseguir respeito é importante, não basta deixar as meninas de queixo caído esbanjando cultura, escalando classes sociais e prédios de luxo. Qualquer que viesse a ser minha profissão, era preciso credibilidade. E eu ali, num beco, de cócoras, sujo, ensanguentado, sem camisa. Há horas sem levantar, sem retornar às ruas, sem coragem para ver se o tumulto havia-se diluído, sem conseguir me recompor para atravessar a portaria a caminho de meu apartamento e desabar finalmente na cama.

Aquela noite, aquele lugar. Horas de angustia e ao mesmo tempo de abandono, incapaz de abraçar um recomeço decente. Sem saber ao certo onde me encontrava e ainda transtornado na dúvida se deveria voltar onde havia visto a maca com aquele corpo. Talvez fosse bom repassar por lá, reentrar naquela realidade: a morte da Simone estava quitando minha indecência, minha inconsistência, meus pecados. Aqueles olhos azuis estavam fechados para sempre, e para sempre meus dias sem rumo. No meu mundo, subitamente vazio, precisava traçar um começo novo, definido e definitivo. E aprender a livrar-me da perdição encontrada naquilo que parecera só um olhar irresistível; livrar-me daquele inferno que o destino havia colocado à minha espera numa tarde de abril; que havia-me atormentado de desejo e de ciumes durante tanto tempo...somente um par de olhos voluptuosos... Só alguns anos depois houve um dia em que os revi, aqueles olhos azuis.

Foi quando, no julgamento de peculato de um ministério qualquer, entrou uma testemunha chave: em cadeira de rodas, pele e olhar fenecidos, mãos abandonadas nas coxas, palmas para acima. Vi que o sobrenome não batia, mas os olhos estavam lá. E como naquela noite do corre corre no Largo de São Francisco, eu fingi que não vi, não notei, não reconheci. Naqueles dias de tribunal não quis investigar se poderia ser ela, se aquele corpo poderia ter sido salvo. Não queria alimentar o desejo de que ainda existisse um caminho que me levasse de volta ao paraíso, e me agarrava à esperança de poder fugir daquela visão que ainda me trazia o medo do inferno.

Sua mãe, meu querido, já era há alguns anos, a razão e a paz de minha vida e você, a caminho, minha serenidade. É muito importante meu filho que ao enfrentar o inesperado você aprenda a recorrer à sua memória: sofra desenterrando a dor e faça o balanço do seu eu atual. E seja severo consigo mesmo, seja firme em suas decisões e não enfraqueça.

Eu tentei.

(Bruna, muito obrigado. Tânia, boa sorte).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Glória a Deus

Provavelmente quem acessa meu blog também acessa o Não Salvo, onde vi esse vídeo e resolvi repetir.


Um pastorzinho de merda que se aproveita de um público ignorante para ganhar dinheiro espalhar seu testemunho de fé. Esse tipo de vídeo faz com que cada dia mais eu sinta nojo de qualquer religião.


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Interessante, claro, são os religiosos falando mal do pastor e citando para isso trechos da Briba, como esse:


Se lessem a biblia, nao pagariam este mico:
Levítico 
19:31 Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles. Eu sou o SENHOR vosso Deus.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quinto Capítulo

(Com um pouco de atraso, é verdade, mas temos a honra de publicar o quinto capítulo dessa emocionanete novela literária. Foi escrito pela Sandra Schamas, que colocou na roda a Bruna Nhering, para fazer o sexto capítulo. Aproveitem.)

Capítulo V

Insone

Ela estava com um grupo de estudantes do segundo ano e alguém nos apresentou. À noite, insone, eu vasculhava os lençóis e revirava o travesseiro quente, pensando nela. Perdi a noite sem chegar à nenhuma conclusão sobre o que me atraía em Simone.

No dia seguinte, na faculdade fiquei distante, esperando que ela me abordasse. Quando finalmente se aproximou, me olhou como quem olha um sapo morto e disse que precisava de umas aulas particulares de Teoria e Filosofia do Direito. Aceitei. Fui até o apartamento que ela dividia com uma amiga, sentamos frente a frente à mesa da sala de jantar. O relógio de parede tiquetaqueava lento e eu podia ouvir o som do meu deglutir. Na primeira aula, em nenhum momento ela levantou o olhar enquanto lia pausadamente o texto que eu indicara. Aquela voz suave entrava em  mim como uma doença, impregnando meu corpo e fazendo minha cabeça girar. Lembro-me muito bem de ter pedido um copo de água, ela foi até a cozinha descalça e voltou com o copo na mão. Fiquei perturbado.

Nas aulas seguintes, a mesma coisa: a sala de jantar, o relógio, o copo de água, a maldita indiferença. Mas, um dia, quando me levantei para ir embora, ela também se levantou, passou a mão nos quadris, nas coxas e perguntou se eu queria ir até o quarto. Assustei, mas fui atrás dela. O papel de parede era de flores verde limão e laranja, acima da colcha indiana havia um móbile e perto da janela, pôsteres do Jimmy Hendrix e Che Guevara. Ela revirou uma gaveta, pegou fósforos e um saquinho plástico. Ligou a vitrola portátil e pôs um LP de vinil importado: Rolling Stones. Depois acendeu um incenso e as velas que decoravam a cômoda, atirou-se na cama, ajeitou as almofadas, acendeu o baseado com toda a calma do mundo e comungou-o comigo. Pouco tempo depois, estávamos entregues a um desejo desatinado, o que não me impediu de olhar bem dentro dos seus olhos enquanto a beijava. I can't get no satisfaction  I can't get no satisfaction 'Cause I try and I try and I try and I try I can't get no, I can't get no…

E assim foram algumas tardes de estudo e, quando percebi, estava totalmente obcecado. Eram tempos difíceis de ditadura, principalmente no Largo São Francisco, onde os estudantes se reuniam para protestos e, quase sempre, acabavam na cadeia. As pessoas desapareciam, o DOPS – que era o temível Departamento de Ordem Política e Social – invadia a casa das pessoas atrás de ‘subversivos’, era muito difícil a gente se reunir. Entretanto, as tardes no apartamento de Simone me faziam esquecer a repressão que engrossava o ar. Totalmente iludido num conceito ultrapassado de que ela era a mulher da minha vida, resolvi aparecer sem avisar. A porta estava aberta, estranhei. Pensei em deixar um bilhete sobre a mesa. Teria sido melhor. O som alto vinha do quarto dela. Fui até lá para testemunhar uma cena conhecida,  como se eu mesmo fosse o protagonista dela. Assisti tudo até o final, achando que aquele homem só podia ser eu e que ela era só minha. Fiquei até que os olhos dela encontrassem o meus.

Simone era a imagem da contracultura, da era ‘paz e amor’. Adepta ao amor livre, ela me fez reavaliar o que eu achava que era liberdade. Por um tempo, fiquei sozinho. Senti na pele o desprezo, aquele mesmo que eu adorava dar e, sem saber direito quem eu era, me esgueirei nos movimentos contra a ditadura, talvez imbuído pela sensação de deslocamento que Simone me deixou. Participava de manifestações e passeatas, queria, como muitos, ver um mundo mais justo.

Numa quinta-feira, eram onze da noite, perto da faculdade os estudantes protestavam , batiam nos vidros dos carros, gritavam:  “Mais pão, menos canhão!” Simone passou cortando a multidão, de certo queria atravessar o largo para pegar o ônibus, pois não fazia parte daquele tumulto. Fingi que não vi. De repente, a polícia!  Corre-corre, pancadaria, levei uma cacetada bem na sobrancelha. Tirei a camisa, coloquei em cima do ferimento que sangrava muito e me escondi entre dois carros até a confusão se acalmar. Veio ambulância. Quando cheguei perto tentando pedir ajuda, lá estava a maca sendo colocada no interior do veículo e em cima, o corpo de Simone.

(Sandra, muito obrigado! Bruna, boa sorte.)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Para os necessitados de ajuda

(antigos também, mas recordar é viver)


"Problema de Justiça e ´Injustiça´", uau.



A biografia do Professor Carlos Magalhães ("O Salvador do Planeta") é fantástica. Mas note: é só o RESUMO da biografia dele. Como se fosse pouca coisa ser bicampeão em Paris e ter sido indicado para o Nobel de Fisiologia. E tudo isso com RELIGIOSIDADE (com G-Sus no coração). Sério, olha a cara dele de novo.


"Passo a noite em fila" é foda.

 
UPDATE: O Professor Carlos não se limitou a salvar a humanidade, também teve vontade de contribuir com a política de sua cidade (seilaqual):




terça-feira, 29 de junho de 2010

Paulo Leminski

eu ontem tive a impressão
que Deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos

quem sou eu para falar com Deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus

Mais quadrinhos ateus




segunda-feira, 28 de junho de 2010

Deus Prefere os Ateus

(antiga, mas muito boa)


(clique na imagem para ampliar)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Quarto Capítulo

(Conforme nosso hábito, a quarta-feira é o dia das melhores publicações. Hoje, vejam só, o capítulo novo da novel que dá inveja a Benedito Ruy Barbosa. Escrito pelo blogueiro Paulo Fodra - resisti e não farei o trocadilho -, que indica, como próxima vítima, a Sandra Schamas, que mostra seus escritos aqui.)

Capítulo IV

Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada...

De repente, vi-me a repetir conhecidos gestos. Dobrar roupas, juntar livros e objetos, despir a casa dos sinais de minha presença. Fechei a mala com o estômago a dar cambalhotas de ansiedade, pois cortava o cordão umbilical e seguia ao encontro da liberdade que meu pai tanto celebrava. Pelo menos assim eu pensava, iludido pela sensação de imortalidade que só a adolescência consegue investir ao homem. Não olhei pra trás uma única vez, seguro que estava, mas era possível antever o olhar preocupado de minha mãe – que perdera o controle sobre um de seus trunfos – e o olhar orgulhoso daquele homem que me aceitara como filho e, agora, via-me seguir os seus passos.

São Paulo, de início, me intimidou – gigante cinza frenética que era, comparada à cidade em que eu crescera. Mas logo me dei conta de que, se minha inteligência e dedicação garantiriam-me o prestígio no mundo acadêmico, a gorda pensão paterna – aliada à malícia materna – me daria a chave da cidade. De cara, fui aceito em um círculo de alunos influentes, porém indolentes, e não se passou muito tempo até que eu os influenciasse mais do que eles à mim. Aprendi rápido o valor de um favor devido e, prestativo que era, nunca estive sozinho. Era convidado – por vezes, arrastado – para as festas perdulárias da elite, bem como para farras estudantis de toda espécie. Experimentei dos prazeres mais intensos da vida mas, endurecido pelo senso prático herdado de minha mãe, não me deixei perder. Pelo contrário. Arquitetava sempre novas maneiras de tirar o máximo proveito da situação, resguardado pela minha educação esmerada que impedia-me de ser visto como mau caráter.

Na faculdade, consegui manter-me – com certa facilidade – como primeiro da turma. De início o fazia por orgulho, depois, por necessidade. Eu não era nada feio, posto que herdei os traços angulosos de minha mãe. Poderia ter as mulheres que quisesse. E tive muitas. Mas não me interessavam tanto as moças libertinas da alta roda, fúteis e autoritárias. Tinha apreço mesmo era pelas garotas intelectuais e mais recatadas que me convidavam a participar de grupos de estudo. Amava a dificuldade em seduzí-las e a entrega com que elas finalmente cediam aos meus caprichos. Ademais, apreciava a facilidade em ignorá-las depois que me cansavam, pois estas eram as que mais temiam a má-fama. No segundo ano, principiei a dar aulas particulares para os calouros. E não foi pelo dinheiro. Perdi a conta de quantas inocências deflorei, não raras vezes em seus próprios quartos, com os pais a assitirem televisão despreocupados na sala de estar. Nunca enfrentei qualquer tipo de problema. Eu era jovem, livre e tinha um futuro promissor pela frente. Não poderia estar mais feliz.

Mas o destino, em uma sufocante tarde de abril, colocou à minha espera um voluptuoso par de olhos azuis. Uma caloura chamada Simone.

(Ao Paulo, nossos agradecimentos. À Sandra, boa sorte!)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Eu vou fazer o quê?!

(O tipo de coisa que só tem graça pessoalmente. Faça um esforço pra imaginar.)

Dalton precisava ir embora. O truco estava bom, estava divertido. Mas sua namorada sairia da academia às 22:00 e ele precisava buscá-la. Dalton anunciou que iria. Fusca, na hora, lembrou que precisava comprar um remédio e, como estava sem carro, pediu o de Dalton emprestado – coisa rápida, 10 minutos. Como eram 21:40, Dalton considerou que daria tempo tranquilamente.

Às 22:00, Dalton se mostrava um pouco preocupado com a demora de Fusca. Às 22:06, a namorada de Dalton liga pela primeira vez. “O Fusca foi na farmácia, já volta, já já estou passando aí.”

Às 22:11, a esposa de Fusca liga pra ele, e percebe que seu celular está tocando dentro de casa, ele tinha esquecido de levá-lo.

Às 22:18, Dalton demonstra uma certa apreensão: “vou enfiar a mão na cara do Fusca”.

Às 22:22, a terceira ligação de sua namorada: “vou enfiar a mão na sua cara”.

Às 22:31, Fusca aparece. Estaciona lentamente. Abre a porta lentamente. Olha para todos lentamente. Lentamente, diz “nooossa... a fila tava enooormeee...”

Dalton não cumpre a promessa, apenas empurra Fusca para fora do carro (ele continuava sentado no banco do motorista) e sai.

A esposa de Fusca: “Porra, Fusca, você sabia que o Dalton precisava do carro.”

Fusca: “Eu vou fazer o quê?!”

Esposa: “Você disse dez minutos, levou cinquenta!!”

Fusca: “Eu vou fazer o quê?!”

Esposa: “Ele ficou fodido da cara com você!”

Fusca (variando): “O quê que eu vou fazer?!”

Esposa: “Como você pode ser tão irresponsável?”

Fusca: “Eu vou fazer o quê?!”

Até agora não sei como a discussão terminou. Nem o que Fusca pôde fazer. Mas até hoje a frase é repetida por todos, num falsete cômico, em homenagem a todo e qualquer raciocínio rápido.

(eu avisei que só tinha graça pessoalmente)

 

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Terceiro Capítulo

(Que rufem os tambores! Eis que chega a nossa redação mais um capítulo quentíssimo do desafio literário do UPOP. Escrito pela Ana Marques, que nos indicou, para continuar a história, o Paulo Fodra. Delicie-se com mais estes momentos.)

Capítulo III

A Teia da Alma - inteligente, bandida, banida, além...

Todos os dias eu olhava para meu pai e desejava imitá-lo em tudo: queria seus óculos fundos e o raciocínio limpo, os livros nas mãos e a falta respeitável de cabelos. Eu o admirava e nutria por ele um amor que ele só sabia ter por minha mãe. Éramos um círculo de sombras, enquanto minha mãe isolava-se num sol que a nenhum de nós aquecia.

No entanto, por mais que eu seguisse o Pai, a vida havia me feito em instinto da Mãe. Ela sorria e era o meu sorriso. Eu planejava e desejava, e eram os desejos dela. Virava-lhe o rosto e ainda assim via-a em mim. Aceitei-a por falta de opção.

Nesse aceite comecei a aprender as manhas e andanças que pareciam pertencer a ela, mas que eram nossas. Tinha uma voz imponente com que regateava o mundo para si mesma e menos não aceitaria, nem eu. Um dia ouvi calorosa discussão entre ela e meu pai na qual, ao final, ganhamos a casa em que morávamos para o seu nome. Ela não aceitaria ser jogada de um lado para o outro: segurança, segurança e segurança.

Segurança tornou-se meu mantra. Embalado por esse som apliquei-me nos estudos, cogitei professores e lições extras que me tornariam alguém maior do que qualquer dos dois eram: inteligente tal meu pai, capaz como minha mãe. E livre, como nenhum deles era mais há muito.

Os conhecimentos abriram portas que eu desconhecia a existência. Lapidaram as palavras, construíram expressões, dissolveram a mediocridade que ainda havia em meus genes para que eu pudesse compreender o quanto eu poderia ir além da amena cidade na qual eu caminhava.

Eu já era adolescente quando ela resolveu que não eram suficientes as contas pagas e a casa nossa. Ela queria mais. Minha mãe era essencialmente carnívora e tudo que recobria meu pai a ela pertencia. Começou a propor e impor passeios nas tardes movimentadas de Santa Felicidade. Queria exibi-lo, braço dado ao dela, oficialmente pelas ruas. Eu nunca caminhava com eles, detestava aquela tortura dissimulada e o propósito férreo, apenas os observava de longe. A cada vez que eles saiam, meu pai quase molhava a roupa toda tal o suor que lhe brotava de todos lugares e ela sequer se embaraçava. Ela insistiu até que um dia o inevitável aconteceu e todos se encontraram: as famílias. Sem ofensas se olharam e reconheceram o talho incurável nas relações existentes. Num minuto o que era paralelo fundiu-se e explodiu sem que uma ruga se formasse. Separam-se e meus pais voltaram para casa.

Mal entrou em casa, meu pai arrumou todos as roupas e saiu. Provavelmente foi em busca daquele sentimento de 'ser livre' que tinha cantado em minha infância. Minha mãe sorria à porta pronta para retomar a rotina de orações até que ele voltasse. Claro que ele voltaria...

Me senti cansado daquilo. Vê-los lutar um com o outro, cada um a seu modo. Prestei vestibular para direito em São Paulo e aprovado preparei-me para ir embora de vez, o 'além' que eu buscava. Uma vez apenas eu perguntei a ela porque se rendia a tantas orações inúteis. Logo ela que jamais fora à igreja e que zombava de qualquer tentativa de abstinência que as pessoas queriam lhe propor. Ainda posso ouvi-la dizendo, entre risos e trejeitos, "é diversão, querido. Nada além do que preciso para passar o tempo."

O meu tempo ali estava esgotado. Foi a última vez que a vi, mas levei-a na alma em todos pecados que cometi.

(Ana Marques, muito obrigado. Paulo Fodra, boa sorte!)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O poeta magrelo e sua amada deusa

(uma linda história de perseverança e amor)

O poeta magrelo escreveu o primeiro poema inspirado em sua amada deusa: eles estudavam na mesma turma na sexta série. Estudaram todo o fundamental juntos, e o poeta magrelo escrevia quase diariamente poemas para sua amada deusa. A amada deusa nunca dava atenção, e o poeta magrelo sofria muito com isso. Um dia, já no ensino médio, a amada deusa arranjou um namorado, o que fez o poeta magrelo entrar em uma fase lírico-sertaneja péssima. Quando o namoro acabou, o poeta magrelo passou a escrever poemas exaltando a esperança e a perseverança. Durante os sete anos seguintes, eles estiveram sempre próximos um do outro: estagiaram e trabalharam juntos, mas a amada deusa não percebia que o amor do poeta magrelo era verdadeiro. Ela teve inúmeros namorados, mas o poeta se guardava para ela. Com um dos namorados, o Jorjão, que só sabia oito palavras em português e nenhuma em qualquer outro idioma, mas era forte e tinha uma moto gigante, ela casou-se e teve três filhos.

O poeta magrelo morreu virgem, se fodeu.

Moral da história: poetas magrelos só se fodem.

(tá bom, a história nem é tão linda)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Segundo Capítulo

(Eis que temos a honra de publicar o segundo capítulo do romance que está abalando as estruturas da cultura brasileira e dividindo águas na literatura mundial. A contribuição abaixo é da Menina Misteriosa, que escolheu, para continuar a saga de nossos heroicos personagens, a Ana Marques, que publica seus textos aqui e aqui. Deleite-se.)

Capítulo II 

Nas ruínas, sentimentos eram as mercadorias

E assim, eu cresci. Cercado pelo mistério das construções de nosso bairro e da minha procedência. Seguindo o exemplo de meu pai e observando a atitude sécia de minha mãe, aprendi a negociar, manter as aparências e usar minhas virtudes para conseguir o que queria.

Recebíamos poucas visitas. Apenas os amigos da igreja faziam companhia a ela, em tardes indistintas e lânguidas. Ela nunca me ensinou a rezar. Mas a pontualidade da fé sempre me instigou. E cintilava meu dia, já que, durante a presença de estranhos, eu poderia parar de estudar e ainda ganhava alguns trocados, desde que fosse, imediatamente, à venda, gastá-los.

Meu pai era escasso em atributos físicos. Baixinho, franzino. Seus cabelos, bem tratados, brilhavam, mas havia indícios de que não durariam. Óculos fundos. A compensação vinha do sobrenome, da educação, da inteligência e, claro, da confortável situação financeira. Eu admirava seu senso de humor apurado, seu gosto pela leitura. O oposto de minha mãe.

Um dia, questionei-o acerca das viagens, e aprendi sobre algo que ele estava prestes a perder. ‘Um homem precisa se sentir livre’, dizia ele. E ele sempre o foi, até conhecê-la.

Acostumei-me a receber o que eu achava ser amor, como recompensa. Aos domingos, após o almoço, sentava em seu colo e relatava minha semana, estudos, descobertas e, principalmente, as atividades religiosas de minha mãe.

Ele, logo depois, confrontava-a. Eu ainda não entendia, mas a retribuição me confortava.

Ele sempre cedia. Ela, manhosa, conduzia-o com maestria. E ele sabia. Inclusive que, para não perdê-la, sustento e luxo não eram suficientes. Mais presença se fazia necessária. A frequência e a duração de suas viagens diminuíram. Bem como as preces vespertinas; porém, nenhuma das duas cessou.

A ambição de minha mãe gritava, exigindo que se precavesse. Preocupava-se não com meu bem estar e sim com seu próprio. Como o matrimônio estava fora de cogitação – vim a saber que meu pai já era casado – eu era, então, sua única esperança. Ela exigiu que ele me reconhecesse como filho lídimo, caso contrário, o abandonaria. Ele, então, o fez.

Fomos a um cartório de nome imponente, numa rua sem saída, de paralelepípedos. Lembro do cheiro de velho e da minha mãe dizendo que, por ser no dia do meu aniversário, não ganharia presentes. E esse me bastava: meu renascimento. Uma nova origem. A mim, agora, pouco importava a antiga. Eu conseguira um pai, na certidão.

Nesse instante, não só a nossa história – minha e de minha mãe – começou a mudar. A de meu pai, agora legítimo, também.

(À Menina Misteriosa, nosso muito obrigado. À Ana Marques, boa sorte.)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Vida de Merda

“Hoje meu namorado terminou comigo porque colei as figurinhas do seu album da copa, disse que agora nao tem mais graça e que estraguei o momento dele. Foram 4 e eram da Ghana. VDM”

“Hoje ao deitar sussurei apaixonadamente no ouvido dela: ”estou sem cuecas", ela responde: "amanhã lavo uma" VDM”

“Hoje depois de duas horas de discussão, desisti de explicar para minha vó que o heterossexualismo ocorre quando se gosta de alguém do sexo oposto. O motivo? Ela leu uma conversa do MSN na qual uma amiga lésbica me chama de "hétero do caralho" e agora acha que sou gay. VDM”

“Hoje marquei um encontro pela net com uma mina que sou a fim. Chegando lá levei 2 socos na boca. O namorado dela quem foi. VDM”

“Hoje passei por um conhecido que andava de skate e se estrebuchou no chão. Dei uma gargalhada estridente e, quando fui começar a zoá-lo, percebi que ele não era um conhecido. VDM”

“Hoje estava no ônibus, quando uma velhinha veio e sentou-se ao meu lado. Ela resolveu dormir no meu ombro, e deixei até o final do percurso. Quando eu fui desencostar dela pra sair, ela caiu no chão. Ela tinha morrido. VDM”

Estes relatos, e outros ainda piores, estão no site Vida de Merda, num sistema parecido com o twitter, ou seja, frases curtas, mas com a colaboração dos usuários, que podem opinar sobre cada uma das historinhas. Vale o clique.



quarta-feira, 2 de junho de 2010

Primeiro Capítulo

(Continuando o jogo literário proposto no post anterior, tenho a honra de publicar o primeiro capítulo de nosso best seller ainda sem nome, escrito pelo Gustavo. O segundo capítulo será escrito pela Menina Misteriosa, indicada por ele para contribuir com essa saga. Ficamos no aguardo.)

Capítulo I

A balada das minhas origens

Minha certidão de nascimento foi maculada pela expressão Pai Desconhecido. Hoje em dia pode não parecer grande coisa, mas naquela época era o que precisava para meio mundo me chamar pelas costas de "filho de uma prenda desmiolada". Quantas e quantas vezes acenei de cabeça e concordei calado quando em roda de conversa algum interlocutor benevolente, sem saber minha condição, dizia "Mas pra quê colocar isso na certidão? Vai condenar o coitado a vida toda. Invente um nome qualquer, João da Silva que seja".

Minha cidade de nascimento é Quaraí, está ali na certidão. Fica perto de Santana do Livramento e da tríplice fronteira. Cidade de índio-velho, como minha boa mãe costumava dizer quando eu perguntava das origens. A propósito, minha mãe tinha lindos olhos azuis ofuscantes. E foi a força persuasiva desses olhos que nos libertou de viver praticamente enclausurados na casa de meus avós. Não tenho lembrança deles, pois antes que eu completasse três anos minha mãe aproveitou a passagem de um viajante abastado e conseguiu condução e teto para nós dois no Estado do Paraná. Saímos fugidos da casa de meus avós, e como minha mãe era temporã, nem por foto os conheci.

Quaraí é uma palavra linda, de origem Tupi-guarani e significa: "rio das garças", o que aprendi depois de pesquisar muito na escola do bairro São Francisco, em Curitiba, onde o viajante nos instalou e onde vivemos por muitos anos. O clima é parecido com o da minha terra natal, frio cortante, mas desde os anos 60 é uma cidade grande, o que fez a vida de minha mãe dar uma guinada. E me isentou de muitos problemas na infância e adolescência, pois nada é pior do que ser conhecido como filho de uma mãe-que-ronca-e-fuça.

O São Francisco é o bairro mais antigo de Curitiba no que se pode chamar de paisagem urbana. Desde o início do século XX já era conhecido com esse nome, e desde que nos instalamos num sobrado gélido e de pé direito alto, minha mãe passou a frequentar a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas.

Desde cedo chamei o viajante de pai, e não é preciso muito discernimento para deduzir que o Sr. Cândido Schahin só passava em casa um final de semana a cada quinze dias, e que superada a adolescência eu já inferia que ele mantinha outra família. Outras talvez.

Minha mãe foi batizada Querência, tinha lindos olhos azuis, corpo de menina, muito tempo livre e duas características de personalidades que, juntas, compõem uma mistura explosiva: senso prático e egoísmo.

(um muito obrigado de toda a nossa equipe de relações com investidores ao Gustavo. À Menina Misteriosa, boa sorte).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Primeiro Jogo Literário do Um Ponto e Outra Palavra

Com o intuito de ganhar milhões promover o intercâmbio literário entre os leitores do UPOP (pelas minhas contas, são seis, contando comigo) e entre outros blogueiros que também se arriscam a escrever uns troços por aí, é com grande pesar prazer que lanço o Primeiro Jogo Literário do UPOP.

Funciona assim: será escrito um romance (ui) de 40 capítulos. Eu escrevi o prólogo. Escolherei o blogueiro responsável para criar o primeiro capítulo. Deverá ser mantido o estilo (o que serve como exercício, aliás). O autor do primeiro capítulo terá uma semana para escrevê-lo e escolher o blogueiro responsável pelo segundo, e assim por diante. Assim que cada um terminar de escrever sua parte, deverá enviar o texto todo para o próximo (que deverá ser anteriormente consultado sobre o interesse em participar) e também me mandar uma cópia, para que eu publique aqui. A publicação em seus próprios blogs fica a critério de cada autor. Assim que o 40º e último capítulo for escrito, deverá retornar, porque voilà, vou fazer o epílogo.

Pelas minhas contas, até o fim do livro serão dez meses. Se todos colaborarem, a cada semana teremos um novo e emocionante capítulo. Por isso peço que quem receber a encomenda cuide dela com carinho e não foda tudo.

Ainda não há um título. Não há um tamanho para cada capítulo. Não precisa ser gigante nem minúsculo, mas pode ser qualquer um dos dois. Espero que todos se divirtam.

Eu já escolhi o camarada que dará o pontapé inicial. É o Gustavo Martins, dono do blog MiniContos Perversos & Outras Licenciosidades, e o prólogo é o seguinte:


PRÓLOGO

Rubem

Se um dia suceder casares, queira bem tua escolhida. Toma cuidado, todavia, com os vapores da adolescência. É bom que não te engates nessa fase, ainda que te pareças conveniente, por amor ou por qualquer outra palavra semelhante. Só entenderás isso quando for o momento. Aproveita teus furores no estudo. Toma calma nas contendas, sê aquele que põe termo a tais eventos. Cautela em negócios é sempre pouca.

E presta atenção no melhor conselho que posso te dar. Quando casado, sê firme e irrepreensível. E toma cuidado especial com olhos claros de francesas. Bem sabes que nunca fui dado a religiões, mas existindo o demônio, eis que o vejo nessa forma. Aqueles, Rubem, são os olhos que te porão no inferno, enquanto tu ris e pensa estar no paraíso. Esses olhos te levarão e te deixarão no porão do inferno.

Ouve a história de teu pai.

Boa sorte, Gustavo.

domingo, 23 de maio de 2010

Pedidos Estranhos

Uma das coisas mais divertidas relativas ao trabalho de músico é fazer gravações. Neste fim de semana, meu parceiro musical Rafael e eu começamos a gravação da música Poker Face, de Lady GaGa.
Por enquanto, só os violões estão gravados e certinhos. Com as vozes eu fiz uma bela cagada na hora de processar o som e por isso perdi os arquivos. Assim que tudo estiver prontinho e mixado eu coloco para download aqui e no blog da dupla, que montaremos em breve.
Por enquanto, só duas fotxeenhas que tiramos durante o trampo:

Esse sou eu. Repare o olhar de concentração.


Esse é o Rafa. Parece que ele está tomando bronca, mas não é verdade.


Enfim. A questão disso é que a gente se esforça, se esforça, e quando vai no bar pra tocar e finalmente mostrar o resultado do esforço, sempre dizemos algo como "quem quiser pedir música fique à vontade, será uma honra blablabla", e a galera pede cada coisa... Não que tocar Lady GaGa seja assim o cúmulo da cultura e tal, mas nem é disso que estou falando, e sim da grafia do povo... Olha os bilhetes que a gente recebe como pedido de música:


Sim, sim, a música é ótima. A banda também, divertidíssima. Mas o nome é Hanói Hanói. E um erro desse vindo de uma pessoa poliglota! O horror, o horror. Engraçado esse "please", também... Claro que pode ser apenas um "por favor" educado, mas parece mais uma súplica... e se eu não sei tocar uma música ou sei tocar mas não sei a letra, dificilmente um "please" me fará lembrar ou aprender repentinamente...


Outro interessante:


Meu poder de inferência diz que o camarada queria ouvir "I Want To Break Free", do Queen. Uma Queen só, não "queens". Mas estamos num mundo moderno, em que 140 caracteres, por exemplo, podem expressar os mais profundos sentimentos de alguém... é bom economizar.  Mas lendo rápido não parece que existe um movimento de libertação das rainhas e que o sujeito estava querendo me dar algum sinal de que meu fim estava próximo porque sou um opressor de Elizabeths mundo afora?


Este post inaugura a seção "Pedidos Estranhos": cada noite tocando um novo pra você.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Novos Blogs Adicionados

A partir de hoje, sempre que eu adicionar algum blog a minha lista de links, deixarei um porquê para isso. Só não me pergunte o porquê disso. Vale o merchand.


Everybody, macacada, cliquem ali que vale a pena.


MiniContos Perversos & Outras Licenciosidades:


Blog do Gustavão. Esse é perverso até no nome. O Gustavo é um roqueiro tarado que só pensa em sexo. Músico e escritor, o cara ganha dinheiro com seus pensamentos safados e com o rock também, embora tenha um trabalho de gente honesta e de bem em horário comercial. Acesse e compre o livro - ele é foda (até porque não caberia um adjetivo que não fosse um palavrão pra ele).


Letras Num Canto


O escritor araucariense Daniel Zanella e seus devaneios literários. Embora o título do blog seja uma cópia descarada do Recanto das Letras, os textos do Zanella são bons, muito bons. Evite deixar seu e-mail nos comentários, já aviso de antemão. Sério.


Banal-Blog


Marcos David (e banda), músico e desocupado nas horas vagas, cheio de tempo pra navegarm pelos blogs que bombam, faz uma coletânea de jogos, links e textos. Até aí seria um blog comum, mas Marcos David (e banda) é perspicaz em suas escolhas. Sempre um conteúdo interessante.


Além do que a vista alcança


Ninguém que eu conheça chama ele de Dédio, mas como ele se apresenta assim e só deixa um olho na foto do perfil, vou entender que ele quer manter um certo anonimato. Pois bem: Dédio tem uma visão ácida mas consegue manter o tom ao opinar sobre o mundo, em português sempre perfeitinho. Viajante nato, conhece muito sobre muita coisa, mas não complica - ponto pra ele e pros seus leitores.


Hoje são só esses quatro. Em breve, mais alguns - ultrasselecionados por toda a equipe de marketing empresarial do Um Ponto e Outra Palavra.

A Sétima Arte

Pros desavisados que pensam que minha carreira acaba depois das crônicas e dos desenhos, eis que vos impressiono com mais um trabalho, agora na sétima arte. Um curtametragem lazarento de bom, com um elenco fodástico, o qual tive o prazer e a honra de dirigir


Rá, pobres mortais. Babem. Eu também sou diretor wannabe.


Chama-se "Ao meio-dia encarnarei sua barraca".


Ao Meio-dia Encarnarei Sua Barraca


Jure que não está impressionado.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Da Arte de Manter um Blog

(um aviso rápido aos até agora desavisados)

Só uma coisinha: eu não faço a mínima ideia de quem seja a Bibi do Sopão Jurema. Se você entrou aqui procurando por isso no Google, já aviso: Não rola. 

Mas confesso que também fico me perguntando o porquê de aquela menina ser a garota propaganda. Se alguém souber, volte pra cá e me conte.

Obrigado.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Será um pássaro?

Modéstia à parte, tenho mais uma habilidade, além dessa coisa cronística que há em mim. Confira:

Agora diga se conseguiu perceber qual é a habilidade.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Vida de Músico

(pequenos diálogo reais - juro)

I.

- Vamos montar uma banda cover do U2?
- Opaaaaaa ótima ideia!!!
- A gente poderia começar tocando o 1980-1990.
- Boa, boa! Tô dentro!
- Você é The Edge e eu sou o Bono.
- Não, o Bono sou eu.
- Capaz, eu até pareço com ele...
- Mas eu canto melhor.
- Canta nada, de onde você tirou isso?
- Claro que canto.
- Canta bosta nenhuma.
- Você que não entende nada.
- Banda é o caralho, então.

II.

- Como assim, não vai pagar?
- Não vou pagar: assim.
- Mas você não pode fazer isso.
- Não vou pagar.
- Então porque você contratou a gente?
- Eu não contratei ninguém: foi meu sócio.
- Mas ambos respondem pela casa.
- Não vou pagar e pronto.
- Mas por quê?
- Gosto de sertaneja.
- Mas o público curtiu!
- Eles gostam de sertaneja.

III.

- Vocês tocam Vítor e Léo?
- Hmmm nããoo...
- Bruno e Marrone?
- Também não...
- O que vocês tocam?
- A gente faz um som mais clássico...
- Ah, bacana. Legal. Tipo Chitãozinho e Xororó?
- Não exatamente. Clássicos do rock.
- Rock...
- É...
- Pauleira?
- Não... Beatles, U2, Rolling Stones...
- Ahm... quanto é o couvert?